4 octobre 2008

drowning by numbers

"(...) Mas descrever o Japão é difícil.(...) E se eu temo dizer banalidades, é pelo fato de que, ditas em francês, as realidades japonesas esvaziam-se muito de sua substância. Este degrau entre aquilo que vive-se e aquilo que pode-se dizer é aliás constatado em todas as ocasiões."

André Leroi-Gourhan - Pages oubliées sur le Japon

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não foi o acaso que me trouxe de volta a essas páginas, após esse hiato de quase dois anos... há exatos dois anos eu estava no avião, no trecho San Francisco-Tokyo da minha volta ao mundo. Sem fazer grandes malabarismos mentais, tenho nítidas as lembranças e sensações daquele momento.

tudo costurado numa teia de emoções à flor da pele, a começar pelo momento em que peguei o meu cartão de embarque.

há dois anos, portanto, eu estava prestes a deixar o terreno do 'Japão-imaginado', não necessariamente abandoná-lo, mas complementá-lo com aquilo que poderia chamar de coletânea de minhas vivências nipônicas.

hoje, em Paris, meu dia apresentou dois momentos nipônicos, o primeiro foi no fim da manhã, em meio a uma aula no centro nacional de dança, meu olhar era invariavelmente transportado para um prédio 'estilo-archilab' do outro lado do canal; o outro foi no fim do dia, quando fui bater um papo com o Dan, nipo-francês, que é a pessoa à frente do espace japon... enfim momentos que refletem também outras coisas que aconteceram nesses dois últimos anos.

e entre Paris e Tokyo existe San Francisco (enquanto São Paulo gravita por meus corredores internos), que não foi somente uma passarela para o Japão em 2006; há exatas 4 semanas eu aterrisava em San Francisco, proveniente daqui de Paris... num horário que coincidia com o horário em que deixara a cidade rumo a Tokyo. Esta chegada a San Francisco foi BEM peculiar.

era como se eu fizesse uma viagem ao tempo, na qual também o ponto de observação havia deslocado-se. Enquanto o avião da Air France fazia as manobras que antecipavam o estacionamento, pude ver um avião da NorthWest que, ao menos para mim, era o avião que levaria as pessoas a Tokyo naquele 05 de setembro de 2008. Deparar-me com a cidade - SF - era também deparar-me com o Plínio pré-Japão, era reviver a expectativa, era sentir que, de alguma forma ou de outra, estou sempre me preparando para chegar em Tokyo.

e é por esta relevância que volto a este terreno


para que, além das lembranças, dos projetos, das emoções, o Japão seja também palavras


bienvenu(e) chez moi



28 octobre 2006

contrastes

já aqui, é depois que anoitece que o céu torna-se insolitamente branco

18 octobre 2006

ici

(em Kyoto... volto no fim de semana, a Tokyo e por aqui tb)

11 octobre 2006

piteira

fumar, não apenas é permitido em boa parte dos espaços públicos, como o preço do cigarro é bem barato: pouco mais do 2 euros o maço.

já o café, custa mais: quase 3 euros.

pitacos

tenho plena consciência de que nunca estive num país tão densamente povoado, mas cada vez mais penso que o real motivo da existência daqueles emaranhados de pessoas atravessando as ruas é a demora que rege a abertura dos semáforos para os pedestres.

(você chega, pára, olha os carros que passam à sua frente, se dá conta que já passaram todos os carros, espera, se pergunta 'por que eu não atravesso, já que não há mais carros?', espera mais um pouco, e finalmente, um tempo depois, o farol abre para os pedestres)

chez nous

na segunda, ao sair de casa e fazer meu caminho até a estação Higashi-nakano, senti que uma percepção se alterava.

e ela se fez presente de uma maneira bem clara, quase como um estalar de dedos silenciosos. Foi ali, à espera que o semáforo abrisse, já na frente da estação, que comecei a olhar ao redor de mim e ver 'diversidade' ao invés de um 'bloco compacto'. Os olhos, que marcam a diferença básica entre o que sou (?) e o que eles são (...), pareciam multiplicarem-se numa palheta de opções.

a sensação que eu tive naquele momento era a de que os olhos ao redor de mim haviam adquirido contornos mais parecidos aos meus, não exatamente na questão oriente-ocidente, mas se até aquele momento havia uma diferença sublinhada, essa linha acabara de ser retirada.

e na terça, ao voltar para casa no fim do dia, senti-me embebido nas sutilezas do uníssono. Ali, na plataforma da estação Harajuku, compartilhávamos todos aquele sentimento de quem espera (talvez) o último trem do dia, uma certa expectativa preguiçosa em relação àquilo que será a redenção rumo ao conforto da casa.

10 octobre 2006

silence, on tourne!

pouco a pouco a casa adquire esse certo frenesi 'câmeras luzes ação', eu aqui no meu quarto, mas pelo resto da casa a equipe se instala. Não sei exatamente o que vão filmar, mas estão aqui por essa ser uma casa considerada antiga, ela tem 80 anos, e mantém a estrutura de portas de papel, além de ter uma luz maravilhosa do sol que se espreguiça casa adentro.